ASPECTOS POPULACIONAIS DO BRASIL

“Na Geografia, os homens estão relacionados com os lugares onde vivem. Nesse sentido, uma das perguntas mais fundamentais que a Geografia deve responder é: Por que as pessoas estão onde estão?”

Responder por que as pessoas estão onde estão envolve a análise de aspectos como a distribuição humana no espaço e a evolução dessa ocupação ao longo do tempo. Para tornar possível o entendimento de tais análises, é necessário retomar alguns conceitos básicos, como os de população absoluta e população relativa.

BRASIL: PAÍS POPULOSO E POUCO POVOADO

População absoluta: corresponde ao número total de habitantes de uma determinada área. Trata-se de uma informação importante, uma vez que através dela pode-se ter uma idéia de um eventual mercado de consumo, ou da disponibilidade de mão-de-obra na região, ou ainda da necessidade de investimentos governamentais para a população.

Quando uma certa porção do espaço apresenta uma elevada população absoluta, é considerada uma área populosa. O Brasil, por exemplo, é um país populoso, pois, de acordo com o censo de 1991, sua população era de 147.305.524 habitantes. Esse número coloca o Brasil em sexto lugar no mundo, em um conjunto de mais de 170 países.

 

A população absoluta dos seis países mais populosos da Terra (China, Índia, EUA, Indonésia, Rússia e Brasil representa cerca de 50% da população mundial.

 

Já a população relativa, ou densidade demográfica, corresponde à relação entre o número de habitantes de uma determinada área e sua extensão territorial. É obtida através da divisão da população absoluta pela área territorial. No caso do Brasil temos:

População relativa

ou

densidade demográfica

=

População absoluta

=

147.305.524 hab.

=

17,3 hab./km²

Área territorial

8.511.996 km²

Obs.: A população relativa do Brasil é reflexo de sua grande extensão territorial, e a baixa densidade demográfica não retrata a realidade nacional. Isso porque a população estão muito mal distribuída: 90% dela se concentra próximo ao oceano Atlântico, numa faixa que raramente ultrapassa 600 km de largura.

 

Diz-se que uma área é povoada quando apresenta uma elevada densidade demográfica; quando sua densidade é muito baixa, diz-se que é um vazio demográfico. A taxa de população relativa do Brasil coloca-se entre os países menos povoados do planeta. Observe o quadro.

Países muito povoados

Países pouco povoados

Bangladesh – 685.1 hab./km²

Holanda – 429.1 hab./km²

Bélgica – 323.3 hab./km²

Japão – 322.6 hab./km²

Austrália – 2.0 hab./km²

Canadá – 2.5 hab./km²

Rússia – 12.4 hab./km²

Brasil – 17.3 hab./km²

 

POPULAÇÃO RESIDENTE – IBGE CENSO 2000 (resultado preliminar)

CIDADE/ESTADO

POPULAÇÃO ABSOLUTA

Santa Catarina

5.333.284

Florianópolis

331.784

Joinville

428.974

Lajeado Grande

1.571

 


Distribuição da população brasileira

O início e a evolução do povoamento do território brasileiro pelos portugueses teve um caráter marcadamente periférico. Um dos fatores responsáveis por isso foi o interesse mercantilista da época, que visava apenas a exploração imediata das riquezas coloniais, sem preocupação com a colonização definitiva. As poucas cidades e vilas, assim como todas as áreas agrícolas, concentravam-se na costa atlântica, elo de união com a metrópole.

O Tratado de Tordesilhas, que estabelecia os limites dos territórios na América entre Portugal e Espanha, foi sendo gradativamente desrespeitado. Durante os séculos XVII e XVIII, com as bandeiras, a mineração, a penetração pelo vale do rio Amazonas e a expansão da pecuária no vale do São Francisco e no Sertão do Nordeste, ocorreu maior povoamento do interior. Formaram-se, então, “ilhas” de povoamento, pois a maior parte da população ainda continuou próximo ao litoral.

No final do século XIX e início do século XX, deu-se a fase de exploração da borracha na Amazônia, que, embora tenha durado pouco tempo, estimulou a ocupação dessa região. Ao mesmo tempo, no Sudeste, ocorria a “marcha do café”, propiciando o avanço para o interior do estado de São Paulo e norte do Paraná.

Após a Segunda Guerra Mundial, e principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), ocorreu um grande desenvolvimento industrial no Sudeste do país. Essa industrialização, que se estende até hoje, tem atraído contingentes populacionais de todas as outras regiões.

Assim, atualmente, a população brasileira apresenta-se irregularmente distribuída pelo território nacional. E, juntamente com os fatores históricos, são os fatores econômicos que explicam esse contraste.

A região Sudeste desenvolveu uma economia diversificada, formando mercado interno e externo que possibilitou e estimulou a implantação industrial, a urbanização e o desenvolvimento da agricultura. Tornou-se, assim, a área de maior atração populacional do país. No entanto, a implantação de novas técnicas de produção e a concentração fundiária têm provocado deslocamentos populacionais do Sudeste. As regiões Norte e Centro-Oeste – as maiores e menos povoadas regiões brasileiras – têm servido de pólo de atração, especialmente em função das riquezas minerais da Amazônia e do avanço das fronteiras agrícolas para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Quanto ao Nordeste, continua sendo uma região de repulsão de população em direção ao Sudeste e à  Amazônia.

 

 

 

 

 

 

Região

1920

1940

1960(*)

1980(*)

1991(*)

Nordeste

11.245.921

14.434.080

22.181.880

35.480.300

42.470.225

Sudeste

13.654.934

18.345.831

30.630.728

52.726.700

62.660.700

Sul

3.537.167

5.735.305

11.753.075

19.396.300

22.117.026

Centro-Oeste

758.531

1.258.679

2.942.992

7.689.600

9.412.242

Norte

1.439.052

1.462.420

2.561.782

5.993.100

10.645.331

Brasil

30.635.605

41.236.316

70.070.457

121.286.000

147.305.524

(*) População residente

Fonte: Anuário Estatístico do Brasil. Rio de janeiro, IBGE, 1992.


 
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Reprodução autorizada desde que citada a fonte Professor Santiago Siqueira
www.santiago.pro.br


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